terça-feira, 9 de abril de 2013

Moradores de Salto de Pirapora e Piedade reclamam da saúde pública

População espera meses para conseguir uma consulta.
Prefeituras dizem que é difícil encontrar médicos para atender pelo SUS.

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A saúde pública na região está em alerta. Quem precisa passar por um médico especialista, ou paga consulta, ou espera meses. Em Salto de Pirapora (SP) e Piedade (SP) a reclamação é a mesma e as resposta das prefeituras também: faltam médicos para trabalhar na rede pública.

A cada dois meses, Carlos precisa passar por consulta com um neurologista. Ele nasceu com hidrocefalia e desde bebê toma remédios controlados. Se fizer o tratamento levará uma vida normal. Mas, desde outubro do ano passado, não consegue marcar a consulta com o especialista no município de Piedade.

Carlos foi informado que para a especialidade de neurologia, a Central de Vagas em Sorocaba (SP) só tem disponibilizado apenas duas consultas por mês. Enquanto espera, outro médico faz a receita dos remédios.

Em Piedade, cerca de 14,5 mil pessoas são atendidas por mês no Sistema Único de Saúde (SUS). A população reclama da longa espera pelas consultas, que pode durar meses.

A secretaria de saúde afirma que 37 médicos atendem a população no município. São dez especialidades e os três programas especiais exigidos pelo Ministério da Saúde: da mulher, da criança e de hipertenção/diabetes. A secretária de saúde, Marli Rodrigues, assume que faltam especialistas na cidade.

Outra reclamação dos moradores é a condição das ambulâncias que levam os pacientes para outros municípios. Acompanhantes e doentes dividem um espaço pequeno, e alguns precisam ir sentados na maca, sem cinto de segurança.

A ambulância leva pacientes de Piedade para o município vizinho, Itu (SP), todos os dias. Os moradores vão buscar tratamento de hemodiálise.

Em Salto de Pirapora, a situação não é diferente. A população também reclama da falta de médicos e, principalmente, da demora para conseguir uma consulta com um especialista. O posto de saúde da família do Campo Largo, por exemplo, deveria ter dois médicos, mas hoje conta com apenas um. Maria Aparecida, de 65 anos, não consegue nem agendar consultas.

Por mês, os sete postos de saúde da família de Salto de Pirapora realizam em média 3 mil consultas. O município, de 40 mil habitantes, tem 27 médicos. A secretaria de saúde diz que é difícil encontrar profissionais interessados em trabalhar no SUS.

Enquanto os municípios tentam minimizar a burocracia das contratações de médicos e também organizar as vagas na central da região, os moradores sofrem.

A secretária de saúde de Salto de Pirapora disse que no caso do posto de saúde do Campo Largo, um profissional foi contratado e deve começar a trabalhar nesta quarta-feira (10).

Quanto à situação do transporte de pacientes em Piedade, a secretária da saúde informou que seis veículos estão sendo adquiridos. Mais uma ambulância, uma van, um ônibus e três carros.

Em Piedade o salário para médicos, em uma jornada de 96 horas mensais, contando com os benefícios, pode chegar a R$ 5.900. Para quem trabalha 110 horas por mês, o salário é de R$ 6.425. A prefeitura de Salto de Pirapora não informou o valor pago aos médicos.
 
População espera meses por consulta (Foto: Reprodução/TV TEM)

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